Você provavelmente já encontrou investimentos que prometem pagar 90%, 100% ou 110% do CDI.
Esses percentuais aparecem em CDBs, letras de crédito, contas remuneradas e fundos de renda fixa. Mas o que eles realmente significam?
Um investimento que paga 100% do CDI não oferece 100% de lucro e não dobra o dinheiro aplicado. Esse percentual apenas informa quanto de uma taxa de referência o investimento acompanhará.
Entender o que é CDI ajuda a comparar produtos com mais clareza, evitando decisões baseadas apenas no número destacado pelo banco ou pela corretora.
Neste artigo, você vai entender como essa referência é formada, qual sua relação com a Selic e o que observar antes de escolher um investimento atrelado ao CDI.
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Prefere ouvir? Entenda de maneira simples o que significa um investimento render 90%, 100% ou 110% do CDI.
Para compreender a origem dos juros no Brasil, leia também: O que é Selic e como ela afeta seus investimentos?.
O que é CDI?
No mercado financeiro, a expressão CDI é utilizada como referência para as operações de curtíssimo prazo realizadas entre instituições financeiras.
Você pode encontrar duas expressões em materiais financeiros:
- Certificado de Depósito Interbancário;
- Depósito Interfinanceiro, chamado de DI pela B3.
Para o investidor, o ponto mais importante é entender que os juros dessas operações dão origem à Taxa DI, popularmente chamada de taxa do CDI.
A Taxa DI é calculada com base em operações de um dia realizadas entre instituições financeiras e registradas na B3.
Como ela representa o custo do dinheiro nesse mercado de curtíssimo prazo, tornou-se uma das principais referências dos investimentos de renda fixa no Brasil.
Na prática, expressões como “CDI”, “Taxa DI” e “taxa do CDI” costumam ser usadas quase como sinônimos nas plataformas de investimento.
Por que os bancos emprestam dinheiro entre si?
As instituições financeiras precisam encerrar cada dia cumprindo determinadas regras de caixa e liquidez.
Em alguns momentos, um banco pode terminar o dia com recursos disponíveis. Outro pode precisar de dinheiro para equilibrar suas operações.
Nesse caso, eles realizam empréstimos de curtíssimo prazo, geralmente com duração de um dia útil.
As taxas cobradas nessas operações são utilizadas na formação da Taxa DI.
O investidor comum não participa diretamente desses empréstimos. Ele encontra essa taxa como referência de remuneração em produtos como CDBs e letras de crédito.
Qual é a relação entre CDI e Selic?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira.
Ela influencia os juros cobrados em empréstimos e financiamentos e também a remuneração de vários investimentos.
A Taxa DI tem origem diferente: ela é formada a partir das operações de curtíssimo prazo entre instituições financeiras.
Mesmo assim, as duas taxas costumam permanecer próximas porque refletem o custo do dinheiro em períodos muito curtos.
Quando a Selic sobe, o CDI normalmente acompanha esse movimento.
Quando a Selic cai, investimentos pós-fixados ligados ao CDI também tendem a render menos.
Mas as duas taxas não são exatamente iguais:
- Selic: taxa básica de juros da economia;
- Taxa DI: referência formada por operações entre instituições financeiras;
- percentual do CDI: parcela dessa referência que será acompanhada pelo investimento.
O que significa render 100% do CDI?
Um investimento que paga 100% do CDI acompanha integralmente a variação dessa taxa durante o período da aplicação.
Se paga 90% do CDI, acompanha 90% da referência.
Se paga 110%, acompanha 110%.
Imagine, apenas como exemplo, que o CDI acumulado em determinado período seja de 10%.
| Rentabilidade contratada | Rendimento bruto aproximado |
|---|---|
| 90% do CDI | 9% |
| 100% do CDI | 10% |
| 110% do CDI | 11% |
A lógica do cálculo é:
Rendimento bruto = percentual contratado × CDI acumulado no período
Por exemplo:
90% × 10% = 9%
Esse cálculo é didático. Na prática, a taxa é apurada diariamente, e o resultado depende das datas exatas da aplicação.
Também representa o rendimento bruto, antes de impostos, taxas e outros custos aplicáveis.
100% do CDI significa 100% de lucro?
Não.
Essa é uma das confusões mais comuns entre investidores iniciantes.
Quando um produto oferece 100% do CDI, ele promete acompanhar 100% da taxa de referência acumulada no período.
Se o CDI acumulado for de 10%, o rendimento bruto ficará próximo de 10%.
Se o CDI acumulado for de 5%, o rendimento bruto ficará próximo de 5%.
Portanto, 100% do CDI significa 100% da taxa de referência, e não um lucro de 100% sobre o dinheiro aplicado.
Quais investimentos acompanham o CDI?
Diversos produtos podem utilizar o CDI como referência de remuneração.
CDB
O Certificado de Depósito Bancário pode oferecer um percentual do CDI.
Por exemplo:
- 90% do CDI;
- 100% do CDI;
- 110% do CDI.
A taxa pode mudar conforme o banco emissor, o prazo, a liquidez e o risco do produto.
Leia também: Como funciona o CDB e o que analisar antes de investir.
LCI e LCA
Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio também podem pagar uma porcentagem do CDI.
Para pessoas físicas, os rendimentos desses títulos são isentos de Imposto de Renda conforme as regras vigentes.
Por isso, uma LCI pagando 90% do CDI pode competir com um CDB de 100% do CDI, que normalmente possui tributação sobre os rendimentos.
Não compare somente o percentual anunciado. Considere também retorno líquido, prazo, liquidez e risco do emissor.
Entenda melhor em: LCI e LCA: o que são e quando valem a pena?.
Contas remuneradas
Algumas contas de pagamento oferecem remuneração automática baseada no CDI.
Antes de utilizar, verifique:
- quando a remuneração começa;
- se existe limite de saldo;
- se o dinheiro precisa permanecer parado;
- quais são as regras de resgate;
- se existe alguma proteção aplicável.
Fundos de renda fixa
Alguns fundos usam o CDI como referência de desempenho.
Isso não significa que entregarão exatamente 100% da taxa.
Taxas de administração, composição da carteira, riscos e decisões do gestor podem alterar o resultado.
Percentual do CDI é retorno líquido?
Não necessariamente.
O percentual anunciado geralmente representa a rentabilidade bruta.
O retorno líquido é aquilo que realmente sobra depois dos impostos, taxas e demais custos aplicáveis.
Imagine dois produtos:
- produto A: 100% do CDI;
- produto B: 95% do CDI.
O produto A parece melhor olhando apenas o percentual.
Mas ele pode possuir tributação, prazo maior ou condições diferentes de liquidez.
Já o produto B pode ser isento de Imposto de Renda para pessoa física ou permitir acesso mais fácil ao dinheiro.
Por isso, compare:
- rentabilidade bruta;
- retorno líquido;
- tributação;
- taxas;
- prazo;
- liquidez;
- emissor;
- garantias;
- objetivo do dinheiro.
A maior porcentagem do CDI nem sempre representa a melhor opção.
CDI alto significa investimento melhor?
Um CDI elevado aumenta o rendimento nominal dos produtos ligados a essa taxa.
Mas isso não significa automaticamente um ganho real maior.
Ganho real é aquilo que sobra depois de considerar a inflação.
Se uma aplicação rende 10% e a inflação do período é de 7%, o aumento do poder de compra é bem menor do que os 10% anunciados.
Juros elevados também podem ocorrer em momentos de inflação alta ou maior incerteza econômica.
Por isso, compare o rendimento com:
- inflação;
- impostos;
- custos;
- risco;
- prazo;
- objetivo financeiro.
Como comparar investimentos de 90%, 100% e 110% do CDI?
Antes de escolher o maior número, observe todas as condições do produto.

Rentabilidade
Confira qual percentual do CDI será pago.
Liquidez
Veja quando o dinheiro poderá ser resgatado.
Um produto que paga 110% do CDI, mas mantém o dinheiro preso por vários anos, pode não servir para uma reserva de emergência.
Prazo
Títulos com vencimentos mais longos podem oferecer taxas maiores, mas exigem planejamento.
Tributação
Verifique se o rendimento possui Imposto de Renda e qual será o efeito no resultado líquido.
Emissor
Produtos emitidos por instituições diferentes apresentam riscos diferentes.
Garantias
Confira se existe cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e se o valor aplicado está dentro dos limites vigentes.
Objetivo
O investimento precisa combinar com a finalidade do dinheiro.
Para reserva de emergência, liquidez e acesso rápido podem ser mais importantes do que alguns pontos adicionais do CDI.
Erros comuns ao interpretar o CDI
Achar que 100% do CDI significa dobrar o dinheiro
O percentual se refere à taxa de referência, não ao valor aplicado.
Escolher somente o maior percentual
Um produto de 120% do CDI pode ter prazo longo, baixa liquidez ou risco maior.
Ignorar impostos e taxas
A rentabilidade divulgada normalmente é bruta.
Confundir CDI com investimento
CDI é uma referência. O investimento pode ser um CDB, uma letra de crédito, um fundo ou outro produto.
Comparar produtos com condições diferentes
Dois investimentos atrelados ao CDI podem ter riscos, prazos, garantias e liquidez completamente diferentes.
Tratar o CDI atual como garantia futura
A taxa pode subir ou cair durante o período da aplicação.
Perguntas frequentes
CDI e Taxa DI são a mesma coisa?
No uso cotidiano, as expressões aparecem quase como sinônimos. Tecnicamente, a Taxa DI é calculada com base nas operações de Depósito Interfinanceiro entre instituições financeiras.
CDI e Selic são iguais?
Não. As duas taxas costumam ficar próximas, mas possuem origens diferentes.
O que significa 100% do CDI?
Significa que o investimento acompanhará integralmente a Taxa DI acumulada durante o período.
Um investimento de 110% do CDI é sempre melhor?
Não. Também é necessário analisar liquidez, prazo, tributação, risco, emissor e retorno líquido.
CDI é uma taxa fixa?
Não. A taxa é apurada diariamente e pode mudar ao longo do tempo.
CDI protege contra a inflação?
Não existe garantia. O CDI pode superar ou ficar abaixo da inflação, dependendo do período analisado.
Conclusão
O CDI é uma das principais referências da renda fixa brasileira.
Na prática, ele representa a Taxa DI formada a partir de operações de curtíssimo prazo realizadas entre instituições financeiras.
Quando um investimento promete 90%, 100% ou 110% do CDI, esse número informa quanto da taxa de referência será acompanhado.
Mas o percentual não conta toda a história.
Antes de investir, compare rentabilidade líquida, prazo, liquidez, risco, impostos, custos e objetivo do dinheiro.
Entender essa lógica facilita a análise de CDBs, letras de crédito, contas remuneradas e fundos de renda fixa.
Também vale complementar com o artigo Renda fixa ainda vale a pena com a Selic alta?.