O Tesouro Prefixado chama atenção porque parece simples: você compra o título sabendo a taxa de rentabilidade combinada.
Isso pode transmitir uma sensação de segurança. Afinal, se a taxa já está definida, parece que não há muito com o que se preocupar.
Mas existe um ponto essencial:
Taxa fixa não significa preço fixo antes do vencimento.
O Tesouro Prefixado pode oscilar bastante no caminho. Se o investidor vender antes da data final, pode receber mais ou menos do que imaginava.
Por isso, esse título exige planejamento.
Neste artigo, você vai entender como funciona o Tesouro Prefixado, o que significa uma taxa fixa ao ano, por que o preço pode variar e quando esse investimento pode fazer sentido.
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Prefere ouvir? Entenda de forma simples como funciona o Tesouro Prefixado e por que ele pode oscilar antes do vencimento.
Antes de continuar, vale ler também: Tesouro IPCA+: como funciona e quando pode fazer sentido?.
O que é Tesouro Prefixado?
Tesouro Prefixado é um título público emitido pelo governo federal e negociado pelo Tesouro Direto.
Quando você compra esse título, está emprestando dinheiro ao governo.
Em troca, recebe uma taxa de rentabilidade definida no momento da compra.
Por exemplo:
Tesouro Prefixado com taxa de 11% ao ano
Isso significa que, se você mantiver o título até o vencimento, a rentabilidade contratada será aquela taxa combinada, descontados os impostos e custos aplicáveis.
A lógica é diferente do Tesouro Selic e do Tesouro IPCA+.
- No Tesouro Selic, a rentabilidade acompanha a taxa Selic.
- No Tesouro IPCA+, a rentabilidade combina inflação mais uma taxa fixa.
- No Tesouro Prefixado, a taxa já é definida no momento da compra.
Por isso, ele pode ser interessante para quem quer previsibilidade, desde que o prazo do título combine com o objetivo do dinheiro.
Como o Tesouro Prefixado funciona na prática?
No momento da compra, você escolhe um título com:
- data de vencimento;
- taxa anual contratada;
- preço de compra;
- tipo de pagamento;
- regras de imposto e custos.
A partir daí, existem dois caminhos.
1. Manter até o vencimento
Se você levar o título até a data final, receberá conforme a rentabilidade combinada na compra.
Esse é o cenário mais simples.
Você sabe a taxa contratada e aceita esperar até o vencimento.
2. Vender antes do vencimento
Se você vender antes, o valor recebido dependerá do preço de mercado daquele dia.
Nesse caso, o resultado pode ser diferente da taxa contratada inicialmente.
Você pode ter ganho maior do que o esperado.
Mas também pode ter prejuízo.
Essa diferença acontece por causa da marcação a mercado.
O que é marcação a mercado no Tesouro Prefixado?
Marcação a mercado é a atualização diária do preço do título conforme as taxas negociadas no mercado.
Imagine que você comprou um Tesouro Prefixado pagando 10% ao ano.
Mas, algum tempo depois, novos títulos semelhantes passam a pagar 12% ao ano.
O novo título ficou mais atrativo.
Para que o título antigo de 10% continue competitivo, seu preço atual precisa cair. Assim, quem comprar esse título antigo por um preço menor poderá ter uma rentabilidade mais próxima das novas condições de mercado.
Agora imagine o contrário.
Você comprou um título pagando 10% ao ano e, depois, novos títulos semelhantes passam a pagar 8%.
Seu título antigo ficou mais interessante, porque paga uma taxa maior do que os novos.
Nesse caso, seu preço tende a subir.
A lógica é:
| Movimento das taxas de mercado | Tendência do preço do Tesouro Prefixado antigo |
|---|---|
| Taxas sobem | O preço tende a cair |
| Taxas caem | O preço tende a subir |
Essa oscilação importa principalmente para quem vende antes do vencimento.
Quem mantém até o final segue a rentabilidade contratada, conforme as regras do título.

A matemática por trás do preço do Tesouro Prefixado
No Tesouro Prefixado comum, o título possui um valor de referência no vencimento.
A ideia é que uma unidade do título chegue ao vencimento com valor de R$ 1.000,00.
Quando você compra antes do vencimento, paga um valor menor do que esse preço final. Esse desconto depende da taxa contratada e do tempo que falta até o vencimento.
Esse preço atual do título é chamado de Preço Unitário, ou PU.
De forma simplificada, a fórmula é:
Preço atual = 1000 ÷ (1 + taxa)^(tempo até o vencimento)
Em formato matemático:
Preço atual = 1000 / (1 + taxa) ^ tempo
O importante não é decorar a fórmula, mas entender a lógica.
Se a taxa de mercado aumenta, o denominador da conta fica maior.
Quando o denominador aumenta, o preço atual do título cai.
É por isso que, no Tesouro Prefixado, existe uma relação inversa entre taxa e preço:
Taxa sobe, preço cai. Taxa cai, preço sobe.
Esse mecanismo explica por que um título de renda fixa pode apresentar saldo negativo antes do vencimento.
Por que o Tesouro Prefixado pode ter rentabilidade negativa?
O Tesouro Prefixado pode apresentar rentabilidade negativa antes do vencimento porque seu preço muda diariamente.
Isso não significa que o governo deixou de pagar.
Significa que, naquele momento, o mercado está exigindo uma taxa maior para títulos semelhantes.
Quando a taxa exigida pelo mercado sobe, o preço dos títulos antigos tende a cair.
Se o investidor vender nessa fase, pode transformar essa oscilação em prejuízo real.
Por isso, o Tesouro Prefixado não deve ser analisado apenas pela taxa anunciada.
É preciso observar o prazo, o vencimento e a possibilidade de precisar vender antes.
Tesouro Prefixado serve para reserva de emergência?
Em geral, não.
A reserva de emergência precisa estar disponível rapidamente e com baixa chance de perda no momento do resgate.
O Tesouro Prefixado pode ser vendido antes do vencimento, mas o preço pode estar abaixo do valor investido naquele dia.
Por isso, para reserva de emergência, alternativas mais estáveis e líquidas costumam ser mais adequadas, como o Tesouro Selic ou determinados CDBs com liquidez diária.
Leia também: Tesouro Selic, CDB ou poupança: onde deixar a reserva de emergência?.
Quando o Tesouro Prefixado pode fazer sentido?
O Tesouro Prefixado pode fazer sentido quando:
- você tem um objetivo com prazo definido;
- pretende manter o título até o vencimento;
- acredita que a taxa contratada é adequada;
- já possui reserva de emergência;
- entende a marcação a mercado;
- aceita ver o saldo oscilar no caminho;
- não depende daquele dinheiro no curto prazo.
Esse título pode ser usado para objetivos planejados.
Por exemplo:
- uma viagem em alguns anos;
- uma compra futura;
- um projeto com data aproximada;
- parte de uma carteira de renda fixa;
- estratégia para travar uma taxa conhecida.
O ponto principal é combinar o vencimento com o objetivo.
Se o dinheiro será usado em três anos, não faz sentido escolher um título com vencimento muito distante apenas porque a taxa parece maior.
Quando pode não ser uma boa escolha?
O Tesouro Prefixado pode não ser adequado quando:
- o dinheiro pode ser necessário em pouco tempo;
- você ainda não tem reserva de emergência;
- a oscilação do saldo causa desconforto;
- existe chance de venda antecipada;
- o vencimento não combina com seu objetivo;
- você não entende a marcação a mercado;
- a inflação pode corroer parte do ganho real.
Esse último ponto é importante.
Como a taxa é fixa, o Tesouro Prefixado não possui correção automática pela inflação.
Se a inflação ficar muito alta durante o período, o ganho real pode ser menor do que o esperado.
Ganho real é aquilo que sobra depois de descontar a inflação.
Tesouro Prefixado comum ou com juros semestrais?
Existem versões diferentes do Tesouro Prefixado.
| Tipo | Como funciona | Pode fazer sentido para |
|---|---|---|
| Tesouro Prefixado | Principal e rendimentos pagos no vencimento | Quem busca acumulação até a data final |
| Tesouro Prefixado com juros semestrais | Parte dos juros é paga a cada seis meses | Quem deseja renda periódica |
Na versão comum, o dinheiro fica acumulado até o vencimento.
Na versão com juros semestrais, o investidor recebe pagamentos periódicos durante o caminho.
Isso pode ser útil para quem busca fluxo de renda.
Mas, para quem está acumulando patrimônio, receber juros antes pode exigir reinvestimento e antecipar a cobrança de Imposto de Renda sobre os valores recebidos.
Tesouro Prefixado, Tesouro Selic ou Tesouro IPCA+?
Cada título possui uma função diferente.
| Característica | Tesouro Selic | Tesouro IPCA+ | Tesouro Prefixado |
|---|---|---|---|
| Referência | Taxa Selic | IPCA mais taxa fixa | Taxa fixa |
| Uso frequente | Reserva e curto prazo | Médio e longo prazo com inflação | Objetivos com prazo definido |
| Oscilação antes do vencimento | Normalmente menor | Pode ser relevante | Pode ser relevante |
| Proteção contra inflação | Indireta | Ligada ao IPCA | Não é automática |
| Principal cuidado | Rentabilidade acompanha juros | Venda antecipada pode gerar perda | Inflação e venda antecipada |
Não existe um título melhor para todos os casos.
O Tesouro Selic costuma ser mais adequado para liquidez e reserva.
O Tesouro IPCA+ pode fazer sentido para objetivos de médio e longo prazo com proteção contra inflação.
O Tesouro Prefixado pode ser útil quando o investidor quer travar uma taxa fixa e consegue levar o título até o vencimento.
O que analisar antes de investir em Tesouro Prefixado?
Objetivo
Defina para que o dinheiro será usado.
Vencimento
Veja se a data final combina com o objetivo.
Taxa contratada
Compare a taxa oferecida com seu cenário esperado para juros e inflação.
Inflação esperada
Lembre-se de que a taxa é fixa. Se a inflação subir muito, o ganho real pode diminuir.
Chance de venda antecipada
Se existe possibilidade de precisar do dinheiro antes, o risco aumenta.
Marcação a mercado
Entenda que o saldo pode subir ou cair antes do vencimento.
Impostos e custos
Considere Imposto de Renda, custódia e eventuais custos da instituição.
Risco do emissor
O título é emitido pelo governo federal e não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
O risco está ligado à capacidade de pagamento do governo.
Erros ao investir no Tesouro Prefixado
Erro 1: olhar apenas para a taxa
Uma taxa alta pode parecer atrativa, mas não basta.
O prazo, a inflação e o objetivo também importam.
Erro 2: usar para reserva de emergência
A oscilação pode prejudicar quem precisa resgatar em um momento ruim.
Erro 3: ignorar a inflação
A taxa é fixa. Se a inflação subir muito, o ganho real pode cair.
Erro 4: vender antes sem entender o preço de mercado
A venda antecipada pode gerar perdas.
Erro 5: escolher vencimento longo sem necessidade
Títulos mais longos tendem a oscilar mais.
Erro 6: acreditar que renda fixa não oscila
Renda fixa define a forma de remuneração, mas não garante saldo estável durante todo o período.
Perguntas frequentes
Tesouro Prefixado pode dar prejuízo?
Pode apresentar prejuízo se for vendido antes do vencimento em um momento desfavorável. Mantendo até o vencimento, vale a taxa contratada, conforme as regras do título.
Tesouro Prefixado protege contra a inflação?
Não de forma automática. A taxa é fixa. Se a inflação subir muito, o ganho real pode ser menor.
Posso resgatar antes do vencimento?
É possível vender o título antecipadamente, mas o preço dependerá das condições de mercado do dia.
Tesouro Prefixado tem FGC?
Não. Títulos públicos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Eles são emitidos pelo governo federal.
Tesouro Prefixado é melhor que Tesouro Selic?
Depende do objetivo. Tesouro Selic costuma ser mais compatível com reserva e curto prazo. Tesouro Prefixado exige mais atenção ao vencimento e à oscilação.
O que acontece se a taxa de juros subir?
O preço do Tesouro Prefixado antigo tende a cair, principalmente antes do vencimento.
O que acontece se a taxa de juros cair?
O preço do Tesouro Prefixado antigo tende a subir, porque ele passa a oferecer uma taxa mais atrativa em relação aos novos títulos.
Conclusão
Tesouro Prefixado é um título público com taxa definida no momento da compra.
Ele pode fazer sentido para quem possui objetivo com prazo definido, entende a marcação a mercado e pretende manter o título até o vencimento.
Mas ele não é ideal para reserva de emergência.
Também não deve ser escolhido apenas pela taxa anunciada.
Antes de investir, avalie prazo, inflação, possibilidade de venda antecipada, custos, impostos e objetivo do dinheiro.
Se quiser complementar a análise, leia também: Tesouro IPCA+: como funciona e quando pode fazer sentido?.